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Da emancipação política ao cárcere da desesperança: o que comemoramos no 7 de setembro?

Da emancipação política ao cárcere da desesperança: o que comemoramos no 7 de setembro?
setembro 12
11:20 2017

A desesperança domina as reflexões desde que escreve essas desesperançadas palavras de esperança. O Brasil se tornou terra de ninguém. De promissora potência emergente, nossa pátria amada afunda-se nas suas próprias contradições.
Minguam o número de brasileiros dispostos a prognosticar um amanhã melhor. É como se estivéssemos vivendo num estado de perplexidade generalizada. Não se trata apenas de enfrentar a crise econômica que insiste em muscularizar-se, tampouco substituir velhos políticos por velhos-novos políticos; mas, acima de qualquer medida objetiva, faz-se necessário redescobrir nossa cidadania.
Nos últimos tempos, passamos a instituir heróis e convertê-los em demônios obedecendo ao ritmo acusatório da operação Lava Jato. Aprendemos política lendo os títulos das matérias, as quais colocam sob suspeição, quase que diuturnamente, novos políticos. No entanto, poucos sabem acerca da estrutura sistêmica que permitiu a apropriação de bilhões do erário público por políticos de moral midiaticamente ilibada.
Há um processo de polarização que inviabiliza nossa convergência enquanto povo. Ainda achamos ser possível terceirizar responsabilidades políticas. Não aprendemos a votar em um projeto de país, pois nutrimos a equivocada ideia de que num sistema presidencialista é possível o surgimento de um messias, salvador da Pátria Amada Brasil!
Definimos e nos autodefinimos como coxinhas, petralhas, liberais, nacionalistas e tantas outras definições; todavia, somos incapazes de fazermos uma autorreflexão sobre nossas responsabilidades nesse lamaçal que virou o sistema político brasileiro.
Diante do frenesi causado pelas disputas futebolísticas do Campeonato Brasileiro, pouco importa os danos sociais da PEC 55, da Reforma Trabalhista, da Reforma Previdenciária, da venda de nossas empresas estratégicas, pois, como se diz em baianês: eu quero é tomar uma – mesmo que seja fiado -, porque o resto é resto!
À semelhança dos nazistas, buscamos instituir um inimigo público. Pessoa, instituição ou organização político-partidária, não importa, estamos sempre em busca de um algoz, sobre o qual depositaremos a responsabilidade de nossos infortúnios.
Somos um pouco mais de duzentos milhões de encarcerados numa prisão chamada desesperança. Para além desta definição metafórica, precisamos olhar atentamente as implicações deste estado de encarceramento, tão caro para uma nação que outrora se arrogava de ter conseguido sintonizar crescimento econômico e social, tornando-se, por isso, uma referência para outras nações.
Comemoramos mais um 7 de setembro (marco simbólico da emancipação política em relação à monarquia portuguesa) agindo passivamente diante da recolonização imposta arbitrariamente pelo ilegítimo Michel Temer, materializada através do projeto de privatização da Eletrobrás e outras empresas fundamentais num projeto de desenvolvimento nacional.
Agindo à semelhança de um rolo compressor, Temer e seus asseclas não encontram resistência capaz de obstruir seus atos maquiavélicos. Falo aqui de uma resistência que derive da cidadania ativa, ou seja, do desejo de fazer o enfretamento propositivo dentro da política, já que fora dela não haverá solução.
Enquanto agirmos por interesses individuais, teremos nossos lampejos de indignação sufocados pelo pacto promíscuo entre classe política, mídia e justiça. Temos que nos politizar para nos desencarcerar. Entender o exercício consciente da cidadania política como elemento definidor do homem enquanto ser social, portanto um ser político. Como diria John Locke (1632-1704): o homem institui o governo para preservar seus direitos naturais e inalienáveis, entretanto, se esse governo se tornar uma ameaça a tais direitos, o homem em sociedade deve destituí-lo e instituir um novo, pois a soberania deriva da vontade/ação popular.

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