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Pawlo cidade assume propondo responsabilidade compartilhada na gestão cultural

Pawlo cidade assume propondo responsabilidade compartilhada na gestão cultural
janeiro 19
07:36 2018

O pedagogo, escritor e dramaturgo, Pawlo Cidade, foi empossado no cargo de secretário municipal de Cultura, nesta quarta-feira, em solenidade, presidida pelo Prefeito Mario Alexandre, no Teatro Municipal de Ilhéus. O Secretário, servidor municipal de carreira, é membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), ocupa a cadeira 13, originária do escritor Jorge Amado, e tem 15 obras publicadas.
Pawlo Cidade – concedeu entrevista ao Dário de Ilhéus, frisando que “há muita expectativa na comunidade cultural em torno do meu nome. Trabalho muito com os pés no chão. Não vou conseguir agradar todos. Nem Jesus conseguiu esta façanha. Farei o que for possível para tornar Ilhéus melhor para quem produz cultura, para quem vive cultura, para quem saboreia arte. Confio em Mário Alexandre e tenho certeza que seu convite não foi casual. A confiança é recíproca. Espero desenvolver acordos que promovam a diversidade cultural, o caráter aberto da cultura e a importância da criação e da participação cultural.”

DI – O senhor está assumindo a Secretaria da Cultura do Município de Ilhéus, era o seu projeto ou foi uma consequência do seu trabalho na área?
Pawlo Cidade – Acredito que seja uma consequência natural. Minhas atividades ao longo destes últimos dez anos em pró de uma cultura mais comprometida, mais estruturada, mais dinâmica, mais raiz, tem me permitido percorrer os quatro cantos da Bahia demonstrando que experiência é importante, mais cultura se faz com profissionalismo e gestão.

DI – Qual o modelo de gestão o Senhor Pretende implementar na sua administração?

Pawlo Cidade – Um modelo extremamente participativo. Na Cultura tudo que a gente pensa, tem que pensar de forma coletiva. A responsabilidade deve ser compartilhada. Se você propõe um edital precisa ouvir o público alvo deste mesmo edital. Não dá para gerir de forma estrábica. Você precisa ser altruísta, precisa respeitar, precisa ouvir, ouvir e ouvir. Fazer é uma consequência. O resultado é muito importante, mas o processo é mais ainda.

DI – Quais são os seus projetos para a área da Cultura no município?

Pawlo Cidade – Antes de pensar em projetos, precisamos primeiro no conceito de Cultura que se deseja trabalhar. A partir da ideia que você faz de Cultura, você começa a construir um programa que se desdobra em projetos, estes em atividades e estas em metas. Assim, concebo Cultura a partir de sua principal tridimensionalidade: simbólica, cidadã e econômica. Estas três dimensões traduzem um conceito antropológico da Cultura e me permite pensá-la a partir de quatro linhas de ação: Fomento, Memória, Inclusão e Empreendedorismo. Em fomento, eu estimulo a criação, a fruição e a produção; em Memória eu mantenho vivo a nossa história, os nossos espaços, a nossa gente; em Inclusão em construo um programa de formação de plateia, descentralizo e desconcentro as ações culturais numa via de mão dupla: centro-periferia, periferia-centro e em empreendedorismo eu provoco o empoderamento, o profissionalismo, o comprometimento do agente cultural. Na prática, ações como editais de fomento, revitalização de espaços culturais, qualificação e capacitação do agente cultural, festivais de música, teatro e dança, são algumas das ações que a Secretaria irá propor.

DI – Como o secretário pretende lídar com os diversos movimentos e seguimentos culturais do município?
Pawlo Cidade – De maneira extremamente transparente, sem paternalismo, protecionismo, casuísmo e outros ismos que só servem para interromper o diálogo, travar o processo e bloquear o novo. Sou todo “ouvidos”. Tenho minhas convicções, meus argumentos, minha fé. Mas isso não quer dizer que eu seja inflexível.
DI – Existiam projetos e aspirações do Conselho de Cultura que foram interrompidos por gestões e ideologias. O Sr. vai retomar esses projetos dialogando ou executando com os grupos distintos?
Pawlo Cidade – Posso lhe dizer sem nenhum quiproquó que os projetos e as aspirações do CMC não foram interrompidos. Pelo contrário, foram vilipendiados pela gestão passada. A ausência de transparência com os recursos do fundo foi um grave problema. Não pretendo motivar o uso de um só real do Fundo Municipal de Cultura se não ouvir primeiro o conselho. São eles que conhecem as necessidades das câmaras setoriais. Portanto, eles são corresponsáveis por uma possível malversação dos recursos. Se eu errar, eles erram também. O diálogo com o CMC já começou.

DI – Numa cidade com o imenso patrimônio material – grande parte abandonado – e um vasto patrimônio imaterial, como essas questões serão abordadas?
Pawlo Cidade – A gente precisa adequar a Lei nº 2.312/89 que trata da delimitação do centro histórico e estabelece os critérios de conservação e preservação do patrimônio ao novo Código Tributário do Município de Ilhéus. Sobretudo o artigo 12 que trata do desconto do IPTU para os prédios tombados. E adequar a Lei nº 2.314/89 sobre os tombamentos futuros do Município, tanto os bens materiais como os imateriais. Não tenho conhecimento do Município ter tombado sequer um bem imaterial. A Puxada do Mastro, por exemplo, é uma festa que precisa ser tombada. Além disso, precisamos trabalhar muito a educação patrimonial e criar um programa que crie multiplicadores “pertencentistas”. Queremos ainda fortalecer a Rede de Museus, criar um sistema setorial da área e conseguir uma sede para o Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus que já tem mais de 50 anos e nunca possuiu um espaço próprio.

DI – Como ficam os patrimônios culturais, especificamente a Casa de Jorge Amado, que foi ameaçada, no atual governo, de ser privatizada?

Pawlo Cidade – Parcerias públicas privadas, quando bem gestadas, funcionam. Veja o exemplo da Casa do Rio Vermelho, em Salvador. Mas o governo precisa acompanhar de perto, não pode deixar correr solto, sem fiscalização. O prefeito não pensa, nem nunca pensou em privatizar a Casa Jorge Amado. Pelo contrário, em breve haverá uma reforma estrutural. A ideia é torná-la um monumento vivo, como os museus contemporâneos. Paulinho, atual gestor da casa, tem feito um belo trabalho de conservação e atendimento na casa. A tendência é melhorar.

DI – O seu relacionamento com a UESC é muito bom, o senhor pretende estreitar esse relacionamento através de projetos e parcerias, com a UESC e outras instituições?

Pawlo Cidade – Com certeza. Tenho alguns projetos que vamos desenvolver com a UESC. Na verdade já iniciamos. Todas as ações que desenvolvermos com a universidade não vai ser pensando unicamente na cidade, mas na região como um todo. O que for bom para Ilhéus, será bom para Coaraci, Itajuípe, Una, Canavieiras…

DI – As questões relacionadas a sua área são imensas, não trataríamos numa entrevista, porém sobre o patrimônio material, o ser pretende intervir para evitar a degradação total do Palácio Episcopal e da União Protetora?
Pawlo Cidade – O Palácio Episcopal já foi beneficiado com uma emenda parlamentar e será restaurado brevemente pelo IPAC. Quanto a União Protetora ainda preciso me situar antes de tomar qualquer providência em relação ao espaço. Mas, lhe garanto, que ela está nos meus planos.

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