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DO NEW DEAL DE ROOSEVELT AO REFORMISMO DE TEMER: APONTAMENTOS DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA.

DO NEW DEAL DE ROOSEVELT AO REFORMISMO DE TEMER: APONTAMENTOS DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA.
julho 21
13:35 2017

Caio P. Oliveira*

A atual conjuntura política brasileira não é convidativa às análises desprovidas de referências históricas, pois, apesar do descompasso espaço-temporal que singulariza o Brasil de 2017, muitos dos contornos da nossa recente crise não são velhos, tampouco desconhecidos.
Embora setores da classe política e parte da sociedade civil insistam em negar, a cada dia fica mais claro o malogro de um projeto de país pensado e executado à revelia das demandas populares.
De fato o Brasil precisava reformar sua legislação trabalhista. Atualizar as balizas jurídicas que normatizam a relação entre empregador e empregado era algo imperioso, considerando, particularmente, os efeitos das Tecnologias de Comunicação e Informação na requalificação das relações de trabalho no mundocontemporâneo. Entretanto, reformar não significa subtrair direitos, ou mesmo potencializar o poder de persuasão dos patrões sobre os empregados.
Argumentam os apologistas da Reforma Trabalhista que o custo do trabalhador no Brasil é muito alto, situação que repele os investimentos de empresários estrangeiros. Para os algozes da CLT, a geração de emprego está atrelada ao barateamento da mão de obra nacional, pois, do contrário, nosso sistema econômico continuará boicotado pelos conglomerados multinacionais.
Na contramão desta perspectiva, o economista, professor da Unicamp e presidente da fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, desqualifica os argumentos reformistas tecnicamente. Segundo ele, o custo do trabalho no Brasil chega a ser 17% mais barato do que em países como China e EUA. Por isso, a questão que inviabiliza nosso complexo econômico não é o “custo do trabalho”.
Para Pochmann, o problema do Brasil neste momento é de demanda, daí, ao aprovar a lei da Terceirização e praticamente outorgar a Reforma Trabalhista, Temer e seus apoiadores, em termos macroeconômicos, caminharam na contramão da verdade histórica, para a qual, desde 1929, uma crise com as características da atual só pode ser enfrentada com medidas que deem musculatura ao poder de consumo dos cidadãos.
Em 1929, quando do colapso da economia norte-americana, o então candidato e posterior presidente dos EUA pelo partido Democrata, Franklin Delano Roosevelt, elaborou um dos mais bem-sucedidos planos de reestruturação econômica da história contemporânea.
Roosevelt, ao apresentar durante sua campanha presidencial o “New Deal” como uma saída segura e razoável da grande recessão, descortinou os limites e contradições do liberalismo, para, em seguida, optar pelo dirigismo estatal sobre o sistema econômico.
Acusado de pretender estatizar a economia à semelhança da URSS, Roosevelt fez cair por terra todas as falácias liberais, mostrando que sem uma intervenção estatal não seria possível reestruturar os alicerces do capitalismo norte-americano. Assim como no EUA de Roosevelt, no Brasil de Temer, a saída está na ampliação da demanda interna via geração de emprego e amplificação das garantias sociais.
Priorizando o investimento maciço em obras públicas para geração de empregos, regulando bancos e empresas, concedendo subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares, criando e fortalecendo a Previdência Social, garantindo direitos a idosos, desempregados e inválidos, bem como incentivando à criação de sindicatos para aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos, em menos de dez anos, Roosevelt e seu NewDeal revitalizaram o capitalismo americano.
No Brasil da ponte para o futuro, Henrique Meirelles e sua Clark sepultam postulados básicos do economês como se tivessem buscando formular um novo paradigma econômico capaz de refutar o que foi previsto por homens como Ford e Keynes, para os quais hiatos estabelecidos entre produção e demanda só podem ser superados com redistribuição da renda para aumentar o consumo, tudo que a sanha reformista de Temer está impedindo de acontecer.
Já eu continuarei buscando compreender os meandros dessa terrível crise, pois acredito ser esse o caminho mais razoável para ajudar meu país. Resistirei às conveniências de toda natureza, especialmente às políticas, tão nocivas ao nosso vilipendiado regime democrático.

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